Arranca minha roupa às dentadas, depois mastiga meu pudor. Deita sobre mim tua pureza e acorda em mim uma puta, pra que cada pedaço meu que te entregar, seja um a menos pra doer, quando você se for. Eu quero teu corpo como quero a dor que me invade, latejando em cada fibra, fugitiva e cativa, ao mesmo tempo. Quero prender em mim teus braços, deixar nos arranhões cada palavra que, calado, guardo.
Quero sentir vergonha de cada pedaço do meu corpo nu, vergonha da tua mão que descobre meus segredos, que grita no silêncio dos poros tão carentes. Quero que estupres cada pensamento puro e sacrifique em teu altar todas as minhas falhas. Quero que me ames em cada vil caminho por minha língua em teu corpo percorrido e que arranque de mim mais suspiros invadindo minha cama do que arrancas invadindo meu pensamento.
Quero, em cada segundo de dor ao teu lado, ter prazer suficiente para alimentar todos os dias em que nesta cama não estiveres.
Quero te amar como amo cada gemido que me dás, grunhido que me arrancas.
Quero gozar de te amar tanto quanto gozo te amando.