Vinícius .

In Uncategorized on janeiro 27, 2010 at 4:13 am

Arranca minha roupa às dentadas, depois mastiga meu pudor. Deita sobre mim tua pureza e acorda em mim uma puta, pra que cada pedaço meu que te entregar, seja um a menos pra doer, quando você se for.  Eu quero teu corpo como quero a dor que me invade, latejando em cada fibra, fugitiva e cativa, ao mesmo tempo. Quero prender em mim teus braços, deixar nos arranhões cada palavra que, calado, guardo.

Quero sentir vergonha de cada pedaço do meu corpo nu, vergonha da tua mão que descobre meus segredos, que grita no silêncio dos poros tão carentes. Quero que estupres cada pensamento puro e sacrifique em teu altar todas as minhas falhas. Quero que me ames em cada vil caminho por minha língua em teu corpo percorrido e que arranque de mim mais suspiros invadindo minha cama do que arrancas invadindo meu pensamento.

Quero, em cada segundo de dor ao teu lado, ter prazer suficiente para alimentar todos os dias em que nesta cama não estiveres.

Quero te amar como amo cada gemido que me dás, grunhido que me arrancas.

Quero gozar de te amar tanto quanto gozo te amando.

In Uncategorized on janeiro 20, 2010 at 7:02 pm

Hoje a ausência dos seus olhos foi também minha ausência de vontade.

Quando acordei, não queria mover os braços ou morder os lábios.

Nem os olhos, eu abri.

O sol invadiu o quarto, a cama, meu corpo e eu só queria que fosse fogo e me queimasse, tão morto estava naqueles lençóis.

Atirei-me, então, ao chão. Caí de joelhos, derrubando a dor concentrada nos pulmões.

“Eu vou fazer um movimento, amor, uma canção pra inventar o nosso amor. Eu vou fazer uma revolução, eu vou pra Londres, vou pra longe, sei que vou.”

Pernambucobucolismo – Marisa Monte

Eu vim em busca de amor.

In Uncategorized on janeiro 18, 2010 at 3:04 am

No meu quarto sempre entrou luz, sempre teve silêncio.

Não tinha luz do cômodo ao lado, nem voz dos avós retumbando.

Não tinha pai com cheiro de calma.

No meu quarto sempre fui só eu e a voz na minha cabeça.

Eu contava histórias quando ia dormir, histórias de irmãos por todo lado, histórias de paz.

Eu tenho meus truques pra pegar no sono, sempre tive.

Faltava coerência naquele amor todo em mim despejado.

Eu sempre recusei pratos que não fossem bonitos.

Sempre quis mais do que alimento, quis ser alimentado da maneira certa.

Então eu abandonei aquele quarto e quero um escuro que tenha panelas batendo do lado de fora.

Eu vim em busca de amor, outro amor, um novo.