transbordo.

você estava lá. desde o princípio esteve lá, olhos selados em busca de um céu interior. penso que apenas ignorei, o seu rosto. fingi não ver os traços difusos e encobertos por finos cabelos negros.

por toda parte estavam os cabelos, mais pretos que a escuridão. e eu fugi.

então me escute, pois é de fato complicado explicar meus temores, os motivos pelos quais fugi do seu insistente espectro, estirado em minha cama.

pensei que fosse doer, essa estória de ser parte de você, de nos transpormos em corpo misto.

mas te amo, é verdade da qual não posso fugir. te amo porque estiveste ali, desde o primordial, suprindo as companhias ausentes.

e me encheste, do fundo ao gargalo. transbordo de amores por ti.

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