Hello.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 23, 2008

Eu sei, a verdade está lá, ela soa como o arranhar de unhas. Eu queria poder, assim como voa a andorinha na primaver, poder contar, poder dizer tudo o que é verdade. Eu gostaria que ouvisses as palavras certas ao invés das belas, já que vomitas a melodia que de mim sai.

Não é tão bonito quanto o vento o que eu tenho para dizer em mal traçadas linhas, nem é tão verdade quanto deveria ser, é apenas o que se diz quando se ama o estranho do outro lado. Eu te digo olá, e eu tenho medo de dizer adeus. O que eu disser além de que te amo pelo fato de não precisares de mim, será parte de toda a mentira.

Perdoe-me então por toda a falta de verdade e a besteira toda, e conceda-me essa dança, se me permite essa pequena besteira entre toda a verdade. O beijo que eu não dei após o toque na tua nuca, as vezes que em teu abismo não mergulhei, por tudo isso peço perdão.

No fim de tudo, eu apenas quero ser um pássaro negro ou a andorinha, para poder voar.

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Café.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 13, 2008

O dia me presenteia, quase por desparate levando-se em consideração o que me toma, com uma noite-de-café. Certo que ela deveria ser de champagne, mas é de café. Não, nem de longe perde os atrativos relacionados com a imagem pregada na mente de qualquer um ao lembrar de um champagne. Na verdade ela nos caça ferozmente como faz o café, sim, daquele jeito discreto gritando-de-dentro-da-xícara. É inegável, porém,  o feitiço inerte em resistir aos seus encantos, sentar-se a olhar as estrelas e desenrolar os olhos no espetáculo mudo de sua luminescência.

A vida é breve, a noite suave e o sol um intrépido desbravador, certamente. Gosto de viver a vida fingindo ver-me como a um lorde em sua poltrona de veludo magenta, apoiado esporadicamente na classe de palavras rebuscadas e fortes.

Mas nada tão semelhante ao aroma e pompa do café do que uma boa frase mergulhada na simplicidade de algo como: ” Eu amo você”.

Abraço.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 13, 2008

Sento, cruzo os braços sobre o peito, escoro-me nos meus anseios e sinto, sinto o calor de todos os meus medos. A melodia toca firme como um raio de sol na plataforma dessa minha vida. Olho para as janelas e admiro os postes de mãos dadas, lembro-me do encontro no laguinho da pia com o amor da minha vida.

Eu não me incomodo realmente, com o vento que bagunça meus cabelos, o vento que segura meus anseios e que fala por mim, quando por mim mesmo eu não tenho meios. Eu sinto a voz penetrar minha garganta e dizer tantas vezes as besteiras que contrapôem-se ao fato de que eu te amo, e só. É tão simples, talvez eu não deva mais brincar de perfeição.

A força não está em mim, eu apenas engulo teus abraços, e o teu sorriso me faz retomar os passos, eu sei.

A vida ainda é colorida, ainda corre como o vento, ainda sou eu esse palestrante desconexo e perplexo dos dias, mas apenas confesse.

 

“Se eu tivesse a força
Que você pensa
Que eu tenho,
Eu gravaria no metal
Da minha pele
O teu desenho…”

Sua mão.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 10, 2008

 

Olhe. Atire seus olhos sobre o que vê. Enxergue o que ninguém mais pode ver, e veja o quanto há em mim algo que transborda você. Veja além do desespero escorrendo de meus dedos e veja, veja o céu que brilha pedindo por um segundo de escuridão.

Veja, minha menina, o quanto fui errante em tanto do que disse tentando gritar, ouça a música que ainda toca esperando nossas mãos unirem-se, sinta minhas mãos ainda tocando os fios de seu cabelo.

Veja as lâmpadas reticentes em iluminar teus olhos, implorando para que você não se vá assim de minhas lembranças. Eu te esconderia em um livro qualquer, na estante sombria de meus pensamentos, eu guardaria teu cheiro, para que após o silêncio gritante de nossos corações eu pudesse sentir seu sorriso em mim, seus olhos a me engolir involuntariamente.

Imploro-te para que tua voz seja o som dos sinos que retine na minha cabeça o tempo todo.

“Abençoados os que esquecem…”

Furto.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 1, 2008

  

Eu pus o lenço encardido nos lábios, sentindo a lascívia de cada linha, para que os pecados fossem-me arrancados dos lábios. Eu estava à beira de um pequeno abismo residente nas palavras que de mim sairia, eu estava preso na incerteza de cada catástrofe possível pela força de minha alma. Eu queria perdão e regozijo pelo silêncio, eu queria paz pela paz que eu mesmo proporcionava aos ouvidos dos cegos e tolos contentes com o nada. Eu queria abrigar-me da tempestade causada pelo meu próprio olhar, eu queria fuzilar quem ousasse me acordar.

Eu tinha o medo de quem foge da tempestade fria e a certeza de quem sabe o quanto a vida poderia ser vazia. Eu tinha os anseios de quem é completo e os atributos de alguém covarde e vil. Eu queria que cada som pronunciasse um alento para o meu desconsolo, eu queria mesmo saber por que calar-me, saber por que sou o que sou e não o que grito para ser.

Eu devia imaginar que meus passos seriam lentos e fatigados, cansados do ritmo incessante de deslumbramento que sempre me foi imposto causar. Eu não queria mais todas essas flores perfumando a pele do fétido ser que eu transpirava. Eu não queria mais a coragem de quem diz carícias presa nos lábios de alguém frio e sem carinho. Eu não queria mais que o sol iluminasse a superfície de meus olhos como ilumina a lua a  profundidade de minha omissão. Eu queria e sempre quis o perdão.

Eu queria, repetidamente, que me perdoassem pelas palavras puras e certas que eu assassinava no leito de meu coração antes mesmo que pudessem a ponta de minha língua vislumbrar. Eu queria correr de encontro ao silêncio, ao desconhecimento, eu queria fazer do falso toda evidência que mantenho presa em mim.

E se desperdiço lágrimas ao travesseiro, ouvindo as belas palavras de uma canção, sei que é por puro desespero, por pura certeza de guardar em mim uma infinitamente mais bela melodia.

Peço perdão pelos aromas que de teus cabelos arranquei, pelas imagens perfeitas que com meus olhos devorei, pelas incontáveis faces suas guardadas em mim, vivas em mim, peço perdão por tantos de ti que em mim vivem cativos.