Escarlate.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 26, 2008

Se o vento fecha o caixão no qual me enfio, não há nada além do céu daquele dia. O que me resta além de sentar na poltrona e olhar o tempo que passa por mim. O que me resta além de enxergar esses espectros de carne que me rodeiam e pelos quais o vento me arrasta?

E se o temporal me engolir, eu me jogo no sorriso que o vento me dá, eu me jogo na música que toca em cada esquina desse estranho lugar.

Não há medos antes desses anseios, não há nada além do que eu ouço dizer, não há nada além… E se não há nada além, há apenas o que é meu, há apenas o que em mim morreu e foi enterrado, há apenas as verdades em mim sepultadas.

Aquela pétala derrama ainda todas as usuras da boca que corre de mim, aquela pétala ainda contém o amor que eu nunca dei pra ninguém. E não há amor nesse terror que salta de meus olhos, há apenas o horror da crueldade branca e nua pintando o céu do escarlate de um sorriso, o escarlate de todo dia, o escarlate que do céu escorre.

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Céu de Baunilha.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 3, 2008

Ela está sempre na esquina de qualquer lugar, esperando-me com estrelas nos olhos e um abismo nos lábios.Há sempre aquele cheiro que arranca minhas palavras e as joga aos seus pés. Não é que não exista mais para onde olhar, é que não há mais olhos em mim que sejam feitos para algo mais além daquele olhar.

O vento bruscamente arrasta meu coração para o dela e o impacto não é mais que o ritmo do orgulho entre nós. Eu sei que há sempre um cômodo que me abraça bem ali dentro de seus olhos. Eu sei que o céu nublado disfarça-se de baunilha ao nos ver chegar.

E eu amo prender-me ao cheiro do teu abraço, por trás de um céu de baunilha forjado.