Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 31, 2008

Peça perdão, peça perdão apenas uma vez. Diga que não, vá contra a razão, morra e caia no perfeito sepulcro em seus olhos.

Não há nada além do que se vê, e essa é a dor de quem vive tendo o que não se vê, e fazendo disso o seu esconderijo. Se essa caixa entrega-se a um mero pingo de chuva, estou nu aqui.

Eu não gosto dessas tais convenções que me impedem de lhe dar ordens e depois me lamentar.Eu sei que o sol vai voltar, e vai brilhar, em algum lugar. O medo fica pra depois, o medo não sabe nada sobre nós dois.

O medo – Capítulo 1

Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 29, 2008

O medo mora no silêncio, eu sei. Eu me sento aqui e escrevo, embalado pelo som àspero e imprevisível de cada tecla. Espero que o pecado tão temido não seja esse, o de sobre o medo escrever. Eu tenho todas as papas presas à lingua, reservadas para o momento em que seja necessário usá-las ou simplesmente morrer. Eu não queria que fosse assim, realmente. Havia um acordo entre mim e o medo, as promessas eram tolas e os fracassos incontáveis. Eu não queria que ele visse a certeza aqui dentro de mim, e nem as comedidas vestes que eu insistentemente conferia à essas palavras tão cruas e vazias.

Há ainda o medo de que seja tão horrendo o que se enxerga quanto o que se sente. Espero que seja assim um pecado pra mim, esse silêncio mortal, de sentir medo e depois deitar-me com ele. Espero que seja perdoável a ardente paixão que me leva a medrar, essa animalesca vontade de sentar e chorar. Se o medo aqui ainda estiver, espero por mais um capítulo como esse, grafado em uma caligrafia trêmula qualquer.

Daqui .

Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 13, 2008

Estou sentado aqui, com a melodia presa à mim, e eu ainda espero aquele trailer que vai, despencando, levar-me a algum lugar. Eu ainda quero todos os passos que eu não ousei pronunciar, eu ainda quero todos os verbetes que eu não ousei pisar, ainda quero você, que eu não ousei tocar.

Sei que nossas mãos estão mais longe do que a chama que se confunde em nossos olhos. Eu sei do medo, eu sei dos receios, e eu sei que ‘ se nossos corpos estivessem tão próximos quanto estão nossas almas, um beijo seria nosso abismo’.

Eu sei em quantos sonhos o arrastar de meus dedos estão imóveis, presos à lanterna de um “Não sei”. Eu sei que te toco em cada suspiro teu.