Window.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on dezembro 10, 2008

É hora, e não é nada além disso. É hora de tanta coisa, é tempo de revoluções. Eu temo os diários e suas páginas brutas e sem cor, eu temo as palavras escorrendo feito segundos, escorrendo na dimensão em que tudo se vai.1553653

Mas é isso, e é tão verdade ser somente isso, é tão verdade que não há o paraíso, é tão verdade essa busca por algo que me faça enxergar além da beleza de não saber voar. Eu queria mesmo voar, eu queria que ao sentir-me preso, houvesse algo além de gritar, mas eu descobri a beleza de não-poder-voar.

Quando se pode, se alcança, quando não se pode, alcança-se. E eu precisava realmente de algo assim, algo como correr-em-busca-de-mim. Eu tinha sempre um discurso preparado, exato e perfeito para os momentos em que eu queria fugir. Mas um dia eu fiquei desprevenido, não havia para onde ir e não havia o que dizer. Tantos foram os que ouviram o meu silêncio e tão poucos os que suportaram ouvi-lo.

Eu achava que faltavam-me palavras agora, que expremissem o que de mim não sai, mas eu descobri que essa fumaça toda no olhar, não é nada além do resultado de um dia decidir sentar-e-esperar.

Eu queria uma despedida com confetes, eu queria abraços, eu queria que as coisas fossem opacas como a madeira de uma marionete, e que por fim em algum detalhe escondido, tivessem o brilho dos pingos de verniz. Eu queria que a madeira fosse macia, mas quando eu caí sobre ela, ela foi o meu conforto mais duro, e foi o travesseiro no qual eu enfiei-me, ávido.

Se eu soubesse o que há por trás dessas janelas, se eu soubesse fazer alguém entender o que contém o meu abraço, eu poderia gritar e quem sabe voar mais alto. É sim uma prisão isso aqui, mas eu olhei pela janela e vi uma menina a sorrir, eu olhei pela janela e vi que sempre há para onde ir.

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Poesia.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on dezembro 5, 2008

Carrego a poesia morta em mim.
Carrego seu mau cheiro, sou dela o tempero, sou ela e sou, assim, desespero. A poesia é a dama de negro, de lábios em putrefação, que escarnece do meu fim, me empurra ao boeiro. Eu a tenho e ela me tem, eu a guardo e ela me sustém.

Nada é ela, além de palavras, nada é ela além da algazarra de estar aqui. Eu uso as palavras e espero que elas tenham um lugar aqui, que elas sejam belas, que elas não fedam tanto quanto fede para mim o simples ato de sorrir.

As palavras são urbanas, eu sei. Mas se não há fuga dessa selva de pedras, se é ela tão fétida quanto esta poesia, para onde eu fugiria além de dentro de mim?

O arco da liberdade, o barco da fantasia, derrota cada sonho, derrotam cada espera. Eu não estou aqui pra te esperar, eu estou aqui apenas por não poder cantar. Eu sei cantar, preciso aprender a voar.