Mais uma que não enviei.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on maio 18, 2009

Sinto o peso das cobertas, e entrego-me ao choro recorrente à estar sozinho e aquecido. Eu procuro no travesseiro e nas camadas de algodão que me cercam, uma maneira de dizer que o oceano bate na minha porta toda vez que durmo pensando em você. As ondas jogam-se contra as minhas fadigas, erguem-me do descanço, jogam-me contra as rochas de sua indiferença.

Será que só eu percebo que todos os sorrisos que te arranquei estão matando a você e a mim? É tão sutil assim o teu desespero? Você pergunta sobre meus dias, quer a narração da minha rotina, mas e quanto a mim? O que há nas suas perguntas que reflita o seu desejo de me  engolir?

Eu te engulo em cada indagação, engulo os seus medos, devoro toda a sua carência. Eu junto seus cacos e guardo-os comigo, porque te quero comigo, seja quem você for. Cada face que me apresentas, mesmo as desfiguradas pelas histórias que me excluem, é uma paixão à que me entrego.

Deixe o vazio de lado, pare de me fazer urrar por você.

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Étoile

Posted in Uncategorized by Vinícius . on maio 9, 2009

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Cada vez que me vejo do avesso, o brilho me cega. Parece loucura, mas acho que engoli uma estrela. Ela fica por aqui, passeando. E sabe o que mais? Faz cócegas, que ridículo. Eu tentei lhe explicar que o céu é maior que o meu estômago, que lá havia outras estrelas, mas ela fica em silêncio, dando voltas na minha barriga.

Eu tenho crises de riso quando vejo uma lâmpada ansiosa para me iluminar. Coitada, ela não sabe que eu sou guardião de uma estrela.

Eu choro quando fica escuro e a estrela fica me dizendo o que todos tentam me dizer antes de se engasgar em sua própria escuridão.

Eu lembro que você me disse muitas coisas antes de eu vomitar. Eu sabia que daquele momento em diante, eu teria mais espaço pra minha comida, já que você não estava me empanturrando de indiferença. Mas eu não imaginava que o espaço seria tanto e tão belo que uma estrela nele quisesse habitar.

Então eu costumo com ela passear. Saio por aí a humilhar a escuridão.

Ela pediu para morar na minha mente e fazer do meu coração uma ante-sala. Mas você sabe, o vazio do meu estômago seria perigoso.

Não, não, não. Você não está longe, só está na escuridão. Desculpe, me falta tempo. Combinei de dar uma volta por Saturno com a minha estrela de estimação.

Amarras

Posted in Uncategorized by Vinícius . on maio 8, 2009

2043667Eu caminhava pela rua, firmando as botas no chão, quando vi aqueles pés a dançar. Eu queria correr, pular, saber o que estava ao meu alcance além de apenas observar. Eu queria dançar. A impossibilidade que contraíra para com os movimentos me incomodava feito pedra no sapato.

Arranquei em um só dia a pedra que me amarrava àquelas solas e fui correr pra saber tudo o que era possível.

E assim, como se a música estivesse ditando meus dias, eu fui feliz.

A cada passo que eu dava, a felicidade parecia existir. A incapacidade de esquecer as amarras que você havia me dado tinha me abandonado. Eu chorei por um segundo por não ter mais nada seu comigo, eu chorava por teu cheiro que não mais estava naquela peça de roupa, mas eu sorria porque eu dançava sozinho.

Justo quando era de se supor que eu precisaria de seus braços pra me embalar, eu dancei sozinho.

A felicidade está em tudo que vejo, o sol é meu. Eu quero que ele nasça todos os dias e mate um pedaço mais da minha agonia. Eu guardei um pedacinho de você. Ele estará sempre nas pedras da calçada, que descalço eu vou pisar.

Vou dançar, gritar, cantar. Sozinho.