O c-O-p-O.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 21, 2009

Eu tenho um copo vazio que me alcooliza e me faz prisioneiro do seu entornar.

Toda noite, quando as estrelas  mostram ao sol que o brilho nem sempre vem em raios,

o copo me toma, tomando da minha língua um belo gole.

Eu temo amar este copo como amo o vazio de certos olhos.

Porque toda vez que os olhos me olham,

o copo me engasga e invade, vazio,  o meu estômago cheio.

Quando eu cansar de riscar em velhos papéis a caneta trêmula por meus dedos conduzida,

o copo vai tomar posse de ambos os meus punhos, fazer das minhas mãos eterno suporte.

E eu nunca vou encher o copo,

porque é vazio que ele preenche o vazio dos teus olhos.

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ao vento.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 16, 2009

Ele arranhava a pele no vinil enquanto depositava ansiedades na agulha oscilante que ecoava fossa em notas musicais, e sonhava receber do sofá aconchego maior que este.

“Os cigarros de cereja me dão náuseas agora, e na falta de lábios em que depositar toda essa doçura, transformo minha língua em algo que faz de minha saliva, suco.”

“Eu tenho todas estas coisas que são minhas, mas que estão repletas de seus cabelos e suor. Eu não sei onde dormir sem te projetar no teto e em cada nuance da luz que me cerca.”

“Tenho palavras suficientes para esmagar teus tímpanos com um simples apelo emocional que reivindique meus beijos, mas elas ficam entre língua e cordas vocais, fazendo com que todos lamentem a minha mudez.”

“Minha honra foi roubada quando te ensinei a deixar o medo nas pegadas. No primeiro passo sem o tal medo, você me deixava pra trás – esmagado.”

“Eu chego a pensar, aqui na cama aquecida por um calor que não é o teu, em trocar as palavras por um bisturi: tentar fazer poesia da ressurreição de alguém.”

“Deixe-me queimar em fogo alto todas as lembranças de quem eu era, não reivindique o que te cobre o pescoço, tenho esperança de matar comigo quem era você pra mim.”