Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 27, 2010

Arranca minha roupa às dentadas, depois mastiga meu pudor. Deita sobre mim tua pureza e acorda em mim uma puta, pra que cada pedaço meu que te entregar, seja um a menos pra doer, quando você se for.  Eu quero teu corpo como quero a dor que me invade, latejando em cada fibra, fugitiva e cativa, ao mesmo tempo. Quero prender em mim teus braços, deixar nos arranhões cada palavra que, calado, guardo.

Quero sentir vergonha de cada pedaço do meu corpo nu, vergonha da tua mão que descobre meus segredos, que grita no silêncio dos poros tão carentes. Quero que estupres cada pensamento puro e sacrifique em teu altar todas as minhas falhas. Quero que me ames em cada vil caminho por minha língua em teu corpo percorrido e que arranque de mim mais suspiros invadindo minha cama do que arrancas invadindo meu pensamento.

Quero, em cada segundo de dor ao teu lado, ter prazer suficiente para alimentar todos os dias em que nesta cama não estiveres.

Quero te amar como amo cada gemido que me dás, grunhido que me arrancas.

Quero gozar de te amar tanto quanto gozo te amando.

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Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 20, 2010

Hoje a ausência dos seus olhos foi também minha ausência de vontade.

Quando acordei, não queria mover os braços ou morder os lábios.

Nem os olhos, eu abri.

O sol invadiu o quarto, a cama, meu corpo e eu só queria que fosse fogo e me queimasse, tão morto estava naqueles lençóis.

Atirei-me, então, ao chão. Caí de joelhos, derrubando a dor concentrada nos pulmões.

“Eu vou fazer um movimento, amor, uma canção pra inventar o nosso amor. Eu vou fazer uma revolução, eu vou pra Londres, vou pra longe, sei que vou.”

Pernambucobucolismo – Marisa Monte

Eu vim em busca de amor.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 18, 2010

No meu quarto sempre entrou luz, sempre teve silêncio.

Não tinha luz do cômodo ao lado, nem voz dos avós retumbando.

Não tinha pai com cheiro de calma.

No meu quarto sempre fui só eu e a voz na minha cabeça.

Eu contava histórias quando ia dormir, histórias de irmãos por todo lado, histórias de paz.

Eu tenho meus truques pra pegar no sono, sempre tive.

Faltava coerência naquele amor todo em mim despejado.

Eu sempre recusei pratos que não fossem bonitos.

Sempre quis mais do que alimento, quis ser alimentado da maneira certa.

Então eu abandonei aquele quarto e quero um escuro que tenha panelas batendo do lado de fora.

Eu vim em busca de amor, outro amor, um novo.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 5, 2010

Dá um cheiro, hoje, por favor. Apenas uns goles de cerveja, uns cigarros, encosta na minha mão, pode ser por um segundo e só por hoje, por agora. Esquece do ódio que alimentamos, da sujeira que nos une, esquece.

Me dá um beijo, limpe-se depois, tudo bem. Vou pra longe, me vendo sem problemas.

Eu quero só um tempo com você, pra capturar o cheiro que deixei em você da última vez, pra sentir de novo teu fôlego roubando o ar com que sobrevivo.

É que há algo no ar quando o dividimos, algo que diz que somos amantes, eu e você, que você me assalta e leva a dignidade.

Mas eu vou pegar a estrada, me perder no asfalto, mudar de ares, arranjar um quarto em que não lhe pertença nem um azulejo. Então, me abraça, fingi que me ama, diz que tudo vai ficar bem, mande-me embora, senão eu volto e acabo sozinho, sempre.

Diz que estou livre de você, morre se possível, diz que você ama outros lábios.

Vou, e não volto. Te mato, mas não volto. Me mato, se preciso.

Longe de você, pra sempre.

Adeus.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 1, 2010

Um gole do forte, eu pedi.

Queria que queimasse, queria dizer que ‘doía a garganta’, arrastando o “r”.

Fazer do meu rosto um ostento ao ridículo, era o que a noite inspirava. Os braços deviam estar soltos, presos ao ar, balançando feito cata-vento, no movimento circular contínuo da ansiedade, pra sempre. A boca tinha que ser amarga, de lábios sensíveis prestes a sangrar. No peito ansiei pelo aperto. Os olhos careciam de meia cegueira, névoa sobre as pálpebras. Os pés havia de arrastar, como se presos à valeta. Cabelos, desencontrados, cada fio desejando um ponto no horizonte.

E então permaneceria intocável entre corpos que dançam, tocam-se, engolem-se.

Queria o amor de imediato, sem pensar nos rastros. Queria ser livre por um segundo, fugindo da dor, e queria voltar, no segundo seguinte, ao amargor que me adoçava.

Queria voar no fim da noite.