O despencar de um sorriso.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 27, 2010

 

Onde já se viu, despencar levemente, assim como faz teu sorriso! 

Quando empaco, as mãos no colo, batucando, e a língua feito represa saturada, incapaz de conter as tantas palavras que jorram não sei de onde, temo que me olhes com vazio nos olhos proporcional à saturação dos meus e nos encaixemos – meu medo na tua indiferença. 

Temo que, então, após colarmos como coisas que não podem ser uma sem a outra, resolvas viver do teu vazio tão quieto enquanto eu, no alvoroço quase explosivo, queimo de amores por ti e morro sozinho. 

Temo também sentir mais falta tua do que sinto dos livros,  querer-te mais que desatolar-me da ignorância. 

Temo que sejas de outro alguém, tão vazio ou tão cheio, e na paz dos teus olhos eu nunca mais possa repousar. 

Então, enquanto estamos aqui sentados e minha mão trepida, cala-me a boca que dispara impropérios, com um beijo que caiba em uma caixa de tamanho adequado para ser levada comigo onde eu for, já que não cabes, tu, em uma dessas. 

E estejas tu, comigo, seja qual for o lugar, lembrando-me que não importa quão turbulenta a vida possa ser, sempre haverá essa paz que canta como pássaros de manhã, nos teus olhos, bem ao alcance dos meus.

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Raios, você!

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 17, 2010

Você e os raios, rasgando a plenitude negra de uma noite quente.

Você, raios. Eu, encolhido admirador de cada clarão.

Eu vejo tuas cores, o sorriso que não é meu e temo que me olhes severo feito relâmpago.

Quero o doce que não está na tua tempestade, quero teu sol, furioso vendaval.

Acalma teus olhos e deixa que minhas pernas novamente fiquem firmes.

Quero tua mão quando encheres o dia de sol e teu abraço quando, impávido, o céu derrubares.

Que teus olhos cortejem minha insegurança.

Se fores o que me mantém seco em um dia de chuva,

prometo crescer

e

acima dos cumes dos montes estabelecer-me.

Pra que quando, como torrente desabares sobre minha rochosa imobilidade, eu tenha medo, não do trovão residente em teus olhos, mas da ausência dos teus pingos a me erodir.

Grama Verde

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 11, 2010

Um rosto bonito, o dele, pensava eu enquanto caminhávamos com desleixo, atravessando ruas, arrastando-nos pelas calçadas. Um rosto proporcional, pronto pra ser vivo, uma boca doce, que, pensava eu, seria capaz de causar em meus pensamentos, tormenta.

Mas era a morte dentro de mim que lhe falava coisas sem sentido. Era a morte dentro de mim que olhava pra cada pedra na calçada e encontrava nela mais vida do que no moço esbelto caminhando ao meu lado.  Naquelas pedras havia as palavras que um dia trocamos, os beijos que nos demos, as verdades que escondemos.

Lembrei de como mentíamos o tempo todo e de que, insaciável, eu voltava pra casa unicamente pra esperar que o novo encontro acontecesse e as novas mentiras fossem ditas. Menti quando permiti que seus olhos percorressem outros corpos e também quando pus os meus em outros olhos.  A verdade é que a sua ausência mente  minha presença neste parque, curvando-me para sentar ao lado deste cara.

Me olha então nos olhos, este cara, numa incisão frontal e precisa, prendendo minha atenção, que é oblíqua. Quero lhe dizer mentiras, meias verdades, mas lhe sou sincero:

“Dentro de seus olhos o verde desta grama é apenas cinza, quero ficar aqui fora.”

O silêncio me corrompe, me desnuda. Esqueço estar acompanhado e me permito divagar.

” Minha avó eu perdi para a morte. Você, eu perdi para o amor.”

Você não é este cara, você não é esse papo, você não é verdade. Você é a mentira e este parque. Você é o cheiro que vou encontrar quando este perfume de mim se afastar.

Quero a morte, então.  Eu te perco pro amor, você me perde pra morte. Justo.

Até mesmo meus desabafos são uma mentira, minhas palavras o são também.

Quero não mais faltar com a verdade, já que mentindo encontro você.

A grama é verde, anyway.