Posted in Uncategorized by Vinícius . on março 11, 2010

Depois de tomada a decisão que me corroía e dobrava-me os joelhos fronte ao medo que adorava como deus, rogo ao silêncio para que tenha um affair com os gritos.

No quarto que não me comporta, beijo, ao engolir seus lábios, o silêncio.

Mal nos penetramos e a solidão nos cerca: prostituta em donzela forjada.

Lambe-nos as orelhas, pescoço, umbigo – dançando aos nossos calafrios.

No quase gozo em que me ponho, faz-se presente a ausência: de sentimentos, de temperatura, de tempo.

De gozo à trepidez.

Sufoca-me a deixa sem despedidas de todos que, em orgia, me acompanhavam.

Olho para o lado e vejo ele, o silêncio, imóvel e sozinho. Escondidos, nas trevas às suas costas, jazem os gritos.

Após um piscar lubrificante de olhos,

a cena que vejo é o silêncio aos beijos e esporros com

os gritos.

Me agarram e lá fico eu:

Puto, aos gritos com o silêncio.