Pedro,

Posted in Uncategorized by Vinícius . on março 25, 2011

Você nunca respondeu à minha carta. Acho que aquelas palavras eram minhas e para mim, não para você. Então, entendo.

Estou escrevendo para dizer que hoje sentei no meu banquinho em frente ao computador, sentindo-me um pouco pianista, para escrever. Coloquei aquela velha música que me fazia lembrar você para tocar e fumei um cigarro esperando palavras saltarem de meus dedos. Descobri que você deixou de ser aquela fonte inesgotável de catarse que me fazia escrever sem fazer parágrafos e com escassa pontuação.

Eu era tão pouco de mim que a lembrança de você era indispensável para todo e qualquer encontro com meus sentimentos.

Então escrevo para contar que tudo sobre você não passa de uma vaga lembrança em preto e branco e poucos detalhes, dentro de algum compartimento empoeirado de significados confusos.

Ao contrário do que você possa estar pensando, não tenho um sorriso gigante de vitória estampado no rosto. Apenas encontro o silêncio impenetrável de não sentir. Não sinto pena pelo que perdi, nem vontade de andar pelas ruas desfilando a não necessidade de te ter vivo em mim.

Apenas não encontro espaço em mim para algo mais do que essa paixão repentina por cada detalhe de quem sou e de quem quero ser. Estou perdidamente apaixonado por mim.

E te conto desse novo amor como quem está em paz com a tua ausência e te deseja ser capaz de sentir, algum dia, e, se possível, logo, o que agora sinto.

Com carinho,

Vinícius

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Posted in Uncategorized by Vinícius . on março 12, 2011

E agora está tudo aqui, ao alcance das minhas mãos, uma lista de todos os desejos simplórios que eu almejei durante tanto tempo. Apenas estou cansado de ser gente. Cansado de querer ser gente, de precisar de gente, de me esforçar por gente.

Não suporto mais olhar no espelho do olhar alheio. Desconstruí o menino prepotente e arrogante para alcançar uma vida adulta insegura e fraca. Esse não sou eu. Estou em busca de (des)humanidade, de falsas certezas, de erros.

Eu quero ser errôneo e incapaz de refletir, novamente. Não quero mais a prepotência de achar possível encontrar a simplicidade quando a única ferramenta é o complexo.