arredio.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on junho 28, 2011

como fera traída que sangra,

não há doce em mim que dissolva teu salgado.

nem carinho ao alcance

que desdobre teu olhar desconfiado.

não há habilidade por mim adquirida, em tempo algum,

que sirva para alcançar-te através destes espinhos.

so far and so close at the same time

you walk so fast by my side

no way i can catch you

no way i can make you feel all the kindness i’ve been saving for you here, in my heart.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on junho 27, 2011

Enough being superficial

Enough being subtle

 

Posted in Uncategorized by Vinícius . on junho 27, 2011

If you want to be sublime

You need to be incoherent

If you want to be beautiful

You need to see your ugliness

If you want to be listened

You need to be quiet sometimes

Posted in Uncategorized by Vinícius . on junho 23, 2011

Amor,

Tudo tão calmo e frio por aqui. Eu me acalmei por você, veja só. Eu, que não sossegava os pés em canto algum, que estava sempre batucando com os dedos em pedaço qualquer de coisa, deixei o silêncio libertar os sons que fiz prisioneiros e tomar conta de cada cômodo do meu castelo interior.

Eu estou aqui, no silêncio mais completo, sem mover um fio de cabelo sequer, pernas contraídas, esperando que você estenda a mão e dance comigo. Disposto a escutar todas as suas besteiras e a gostar dos seus cabelos molhados demais. Tuas mãos eram os olhos com que me dava conta de possuir um corpo e, agora, quem sou eu?

Não há horizonte na paisagem de tudo que você levou de mim quando saiu por aquela porta. Não há céu acima da montanha de destroços que deixamos.

Sobre ignorância.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on junho 3, 2011

Quando se é um observador analítico do universo que o cerca, nada é suficientemente desinteressante ou estúpido para deixar de fazer barulho na sua cabeça e bagunçar toda a solidez que, ilusoriamente, se pense ter. Algumas palavras, entretanto, ecoam nesse emaranhado de gritos como se portadoras de um tom que as distingue, em importância, das outras tantas e infinitas que fazem do pensamento o enigma central de uma existência.

Ignorância é a minha palavra. É como se, em torno dela, se erigisse a desconstrução babilônica com que percebo o meu estar e ser no mundo. Talvez ela tenha sido a primeira palavra que, de pensar no seu significado, calou-me o direito latente de falar ininterruptamente sobre todo e qualquer desconforto que me possa ser causado.

Ignorar, então, nesta noite fria de junho, é tomado de um significado antes nunca por mim experimentado. Ignorar não é deixar de tomar conhecimento, como facilmente nos propomos a conceber. Ignorar não cabe numa relação dicotômica entre eu e o mundo, como simplesmente poderia se julgar.

Ignorar é um verbo que se coloca em posição anafórica à ele mesmo, uma vez que optamos pela ignorância, ao contrário do que se pensa, que em algum momento deixamos de ignorar. Ignorar é sobre ignorar o fato de estar constantemente ignorando-se algo para não o fazer com outro algum. É deixar de parir-se como inevitável ignorante de infinitas coisas e partir numa busca desenfreada por aniquilar com o tempo que corre e corre, em batalha desenfreada com a oportunidade de abandonar uma ignorância e ir em busca de outra.

Quero parar o tempo agora, só por um segundo, para contemplar a consciência extraordinária de não mais ignorar-me e perco-me em palavras sem sentido, uma vez que ignoro-me mesmo quando chego ao cerne do que me faz desconfortável.