Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 19, 2011

há sete palmos de pele, músculos e ossos enterrando o que restou do cheiro da tua boca e dos gestos disformes alisando meus cabelos.

 

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 15, 2011

“Já passou, já passou

Se você quer saber
Eu já sarei, já curou
Me pegou de mal jeito
Mas não foi nada, estancou

Já passou, já passou
Se isso lhe dá prazer
Me machuquei, sim, supurou
Mas afaguei meu peito
E aliviou
Já falei, já passou

(…)

Mas já passou, já passou
Recolha o seu sorriso
Meu amor, sua flor
Nem gaste o seu perfume
Por favor
Que esse filme
Já passou”

– C.B

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 12, 2011

os quartos ainda são estranhos, três anos depois de ter deixado o nosso.

olhar para as paredes desconhecidas e  a falta do espaço que ocupavas.

talvez doa para sempre a falta dorida que fazes.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on setembro 3, 2011

Como dois homens do velho oeste nos posicionamos um de frente para o outro, e no fundo dos teus olhos os meus cravo, em corte oblíquo na direção da tua alma que é massa amorfa intocada entre estômago e coração. Esquivas o olhar para o chão que, sob o sol ardente, poeira levanta e expulsas a mim, reacomodando-me brutalmente em meu próprio corpo.

Arremessas o olhar intrépido em direção ao meu e, com a boca até então inerte, proferes ondas sonoras que figuram palavras, cobrando-me dois vocábulos que exprimam o guardado secreto do meu coração. O meu olhar, antes desviado pelo sol de amargos raios que cortam, refaz o caminho em direção ao cinza da tua alma intacta, num galope lento através do espaço de mundo entre o meu corpo e o teu.

Basta de escapismos oculares, quero teu olhar de frente ao meu – globo contra globo.  Em conexão corrente, sentes invadirem o profundo do teu peito calafrios antes prisioneiros de minhas entranhas, os nossos corpos em compartilhamento de arrepios, vibração de células que choram e doem, nosso amor soprando vida a ambos, as dúvidas cessadas, as cólicas, agora, calmas.

Vencemos as línguas trêmulas e limitadas, ultrapassamos os vocábulos prematuros e agonizantes, os atropelos que nos despedaçavam. O vácuo em que meus detalhes inexprimíveis acomodam-se é agora também teu,

estamos além das palavras.

* para você, que não existe. *