Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 31, 2011

As dores eram-lhe, de tão apressadas, prematuras. Velozmente iam da planta dos pés ao nó do estômago, convertendo o não ainda desbravado futuro em antigo parasita carregado de aflição.

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Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 13, 2011

Não ignorava o fato de que, embora admiti-lo o despedaçasse, cabia-lhe o machucado. Não lhe cabia era a dor. Era certo ao agressor que lhe desferisse os golpes certeiros e sem rodeios, embora dolorosa e inadmissível a condição de golpeado. Cercava-se então de dois rancores: o de ter sido alvejado e o de esquecer por tantas vezes que o havia sido, vergonhosamente capaz até mesmo de apiedar-se.

Era essa a sua maior fraqueza desde o começo, e um palpite habitava-lhe a ponta da língua de que era irremediável: dividia-se, em qualquer enredo que a vida lhe aprontasse, entre vítima e testemunha.

Era capaz de compreender angústias de quem impunha o mal como não fosse à si mesmo o mal imposto.

* glad you’re doing it right. sad it has to be wrong for me *

Posted in Uncategorized by Vinícius . on outubro 1, 2011

Acontecia o amor ser belo somente se esfarrapado,

trapos balançando dolorosamente ao vento.

A doçura pertencente apenas às memórias antiquíssimas,

afeto acrescido no misto de esquecimento e inventividade.

Acometia que os olhos negros eram mesmo negríssimos de cavar ferida eternamente aprofundante que nunca, nunca sararia.