Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 18, 2012

penso que é cíclica, a matéria com a qual nos constituímos. é como se de um extremo fôssemos ao outro, para só então descartar ou incorporar o que nos desconforta para o bem ou para o mal.

talvez por isso precise te amar a ponto de arrastar pelo chão, para só depois esquecer dos teus rastros em mim e alcançar tua inexistência.

inexistes.

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Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 12, 2012

e se depois dos rasgos nos costurássemos

se depois dos lábios viessem os braços.

ah.

des(despedida)

Posted in Uncategorized by Vinícius . on janeiro 8, 2012

A paz reveste as paredes do quarto cinza enfumaçado pelo tabaco ardendo frenético na minha boca enquanto o aparelho de som emite ondas curtas que reverberam o compensado oco e frágil. Tenho os lábios ressequidos pelo tragar constante de cigarros filtro vermelho, a boca para sempre mais quente que o corpo branco e magro que estiro sobre a cama.  À minha esquerda, vislumbro o concreto mal coberto a menos de um metro de onde acaba o colchão; no meu lado direito, alguns centímetros acima da cabeça, em uma perspectiva vertical do colchão encardido em que me deito, repousa um criado mudo envelhecido e fragilizado pelo tempo, comportando uma pilha imensa de livros que lhe curvam as pernas. Sou maior que o leito. Meus pés balançam os dedos quase anômalos de tão grandes, acompanhados de uma parcela da parte inferior de ambas as pernas que flutua no ar. E tenho paz logo acima do sujo chão corroído pelo tempo. Você esteve ao meu lado por tempo demais para tão confortavelmente repousar além destas paredes. Embora vazio o lado esquerdo da cama, é como se ainda contraíssem e relaxassem juntos nossos abdomens, estando você no Japão e eu aqui, efervescendo ao sol tropical do lado esquerdo de Greenwich. Com isso quero dizer exatamente o que, suponho, você desvenda: estou fadado a te dar por presente não importa o tamanho do vazio ocupando o destino dos meus próximos passos, e a respirar metade do teu ar onde quer que estejas. Creio ser não mais que uma mistura de nossas células e talvez seja mesmo verdade que deixamos pedaços indivisíveis de nossos corpos um no outro. Deveras tenho observado que apenas meu corpo anda a se reconfigurar em função da tua ausência material, acumulando formas que desfazem o entrelaçar de nossos corpos. Não importa que o vasto azul nos derrame raios ferventes de sol ou caudalosas torrentes de chuva densa e fria: não há céu ou chão, nem madeira enraizada no solo, no lugar onde ambos estamos, para sempre, ao alcance um do outro.