Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 26, 2012

então me pego pensando nos lugares a que irei sem você. todos os parques, repletos de árvores verdes, mortas, vivas.  as praças de concreto, envoltas em bustos, os bancos resguardados do sol sob a cúpula verdejante de uma anciã. os hotéis quentes e pequenos no frio branco do gelo, as bebidas rasgando a goela, os olhos cheios de um novo inacabável. e penso também nas pessoas, todas aquelas pessoas cheias de sorrisos e olhos tristes na calçada, os rostos que dificilmente atingirão minha retina novamente.

os rapazes que deixarão seus cheiros em camadas sobre o seu, apagando lentamente o odor que me persegue.

de fato seria melhor que eu empacotasse o necessário e fugisse antes que o dia nasça novamente, ileso à presença da noite cobrindo cada célula minha. mas é que espero o telefone tocar uma última vez, ouvir uma nova palavra sua, o suspiro chiado. quem sabe ainda é tempo de ver os teus cabelos desgrenhados atravessando-me de pescoço a tornozelo.

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Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 24, 2012

Precisei dizer adeus ao Pedro. Sim, mesmo que o sorriso me atravessasse um milhão de vezes a cada segundo. Mesmo, mesmo que me tocasse e vertesse gotículas frias em noite de verão. Tive de me despedir porque a noite é longa, é vasta, e não há laços instantaneamente estabelecidos que justifiquem os enormes pedaços que me cairíam a cada beijo de Pedro. Queria eu fosse possível fazê-lo mais firme, brotar-lhe os beijos certos. Não é, então sigo pela noite que é quente, vasta  e me leva a lugares tão escassos de solidão. As noites me tiram da dor de um colchão.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 22, 2012

a mão já calejada percorre as superfícies proficientemente,

sabe onde rasga e onde desliza,

anda sábia e lê as palavras pontilhadas.

cegamente vê o caminho

esguia, volta a defender-se.

erupção

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 20, 2012

CAPÍTULO I – A NATUREZA É MITOLÓGICA.

do mundo impossível de se agarrar (escolho agarrar pela sua raiz corpórea), digo que é infinito, orgânico, coativado e integrado à cada ínfima célula gelatinosa que nos compõe. por ser indizível, se faz mitológico.

o estado em que me encontro faz necessário recorrer a palavras arrogantes e imcompreensíveis, é o estado que preciso para relatar que amamos em termos de dores que são biológicas:

– uma vez, em um livro, encontrei o seguinte: o amor que compartilhávamos, eu e ele, era um estrangulamento de espíritos, solitários em um cosmos ordinário.

– coloco em termos de um livro que não existe, pois prefiro que essas dolorosas conclusões sejam endereçadas à outrém.

mas é que explica tudo, veja só. se te amo, amo-te em termos de dores, e não poderia escapar de doer-me amando-te ou detestando-te. assim como em amor fraterno, entravamo-nos com sentimentos de ciúmes cuidador e preocupação descontrolada que nos infligem dor.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on fevereiro 7, 2012

você saiu do quentinho e veio até aqui, atravessando pingos de chuva, me levou para o café da esquina e olhou bem dentro dos meus olhos: quem-sabe-há-um-espaço-que-possamos-compartilhar. você me pediu que, por um segundo ao menos, abandonasse escudos, armas e permitisse um momento de luz na escuridão em que me dou vazão e deixo de ser um personagem. quer estar aqui não importa o que eu faça com os minutos de dor, sinceramente acredita que há lugar para compreender-me e acha que esse alguém é você.

talvez tenha razão ao dizer que já não são tantas as fichas que ponho em risco ao perder um pouco do fio da miada para você.

mas é preciso dizer que rezo quando chega o breu. rezo copiosamente para um deus que expiará meus pensamentos sobre implodir.

fico quieto, busco silêncio e rezo para o deus que, incontáveis vezes, me abandonou. também rezo para todos meus malfeitores, afinal de contas, o que são as dores senão louvores?

tenho encontrado poucas respostas sobre a turbulência constante com que sobrevoo a vida, mas talvez agora eu saiba com certeza que idolatro aos que me tornam miserável.

e talvez todos nós o façamos, nos momentos em que estamos sozinhos e desavergonhados dos tortuosos traços que nos esboçam.

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