Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 27, 2012

Das experiências que teve, mais da metade foi delírio. Dos ouvidos caiu na simulação mental quase masturbatória, cada vez que ouviu relatos das cenas que, muito provavelmente, jamais vivera, embora as sentisse como na própria pele. Soube das dores dos mais velhos, sofreu com a proximidade do fim. Teve alguma vezes filhos, que cresceram e o abandonaram num canto solitário do mundo. Trancou-se por quatro meses no apartamento apertado e frio, chorou de câncer, raspou os próprios cabelos. Por vezes foi doente, noutras cuidador. No apartamento praticamente vazio interpretou diálogos e discussões consigo mesmo.

Foi vazio e, depois, encheu-se, soube da felicidade e da sorte, mudou o reflexo no espelho e resolveu ignorar, por um tempo, as vozes e papéis do palco cotidiano.  Por muito tempo calou-se, conteve-se, comportou-se com silenciamento absoluto de vozes. Até que, em dia cinza e frio de agosto, permitiu-se as interrogações, fecundou-se de dúvida, e caiu no completo alvoroço da multidão contida em si mesmo. Agora, está no quarto repleto de palavras que tenta, desesperadamente, conduzir em poemas que evitem os distúrbios.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 24, 2012

não quero ser esperado, agendado, visitado, avisado. quero ser bem vindo, encontrado, supreendido, de acaso.

 

e não me venha dizer do que é certo, sou mesmo do achismo, e não acho certezas.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 22, 2012

ou é que estou poeta, ou eles se desconheciam no conhecerem-se profundamente, à distância.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 12, 2012

talvez eu corra, obstinadamente eu corra. até pertencer.

Posted in Uncategorized by Vinícius . on agosto 11, 2012

Muitas vezes assustara-se com as surpresas do mundo. Delas, a maior foi descobrir a sabedoria na boca de rua, nas vestes sujas e recicladas dos sábios mendigos. O inescapável aprendizado de que o aprender se dá ao contrário do ensinado, foi da vida o maior relevo.