Posted in Uncategorized by Vinícius . on novembro 21, 2012

encheram-se os olhos de Tereza de solidão quando o quarto esvaziou-se dos visitantes e a janela dava passagem a um vento congelante. queria que os calores fossem indissipáveis ou que as presenças não deixassem para trás a ausência. temia que o menor movimento de dedos destampasse o boeiro de aflições que sentia crescendo logo abaixo dos pés e sublimasse o peso do corpo, por isso permaneceu calada até que as horas esquecessem da passagem e algum conforto lhe permitisse atravessar o cômodo para lacrar a janela.

na imutabilidade dos fatos que desenrolavam-se a despeito de sua inércia caminhava velozmente por espaços que só a si reservara, no mais empoeirado canto do labirinto sorrateiramente soerguido de pensamentos, enquanto cantava um homem ao fundo da sala escura revestida de madeira, sentado na acinzentada poltrona corroída pelo desenrolar dos acontecimentos já então esquecidos, cada nota referente a um lamento. Tereza muito jovem resignara-se ao posto de analista passiva dos movimentos alheios, e era também agora incapaz de mover-se através dos cenários maquinados pelo cérebro inerte em ouvidos que a tudo sempre repararam, timtimportimtim.

estavam agora, em alguma sala anexa, cabelos desgrenhados por suor afrodisíaco que emolduravam olhos profundamente ensanguentados de paixão correndo vertiginosamente por nervos que reverberavam-se em movimentos frenéticos contra a pele da imóvel Tereza agonizando em tesão escaldado pela espera dos lábios fraternos que continham-se de respeito mesmo que flagelados pela atração. pulularam as têmporas e o calor elidiu as vergonhas. Tereza agora era perdição no cruzamento de veias salientes entre poros vertendo incontenção.

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