Posted in Uncategorized by Vinícius . on março 11, 2013

Espera-se dos desfechos que sejam robustos, incômodos, manifestos de conclusividade máxima. Da percepção, concebe-se que seja repartida em atos, um de cada óculos, cada quadro com seu traço, os panoramas diversos, ampliados ou reduzidos a especificidades, desenrolando a trama dos fatos que, aleatoriamente, assume-se reais. Os clímax são vários, encerrados em espaços na teia do tempo que dilata-se infinita e disformemente. Há clímax de dores, um legítimo elefante na sala, acompanhado sempre de cólicas e hematomas traumáticos inacreditavelmente preguiçosos de sarar, mas também há clímax sutil, que toma sorrateiramente a cena, deixando o espectador nauseado pela mudança tímida porém grandiosa.

As luzes são as primeiras a mudar, algumas deixando de incomodar pelo amarelo compressor, outras deixando de ser frias pela sua alvura. O calor do corpo redistribui-se lentamente, alterando por conseguinte o toque, tornando menos ásperas as superfícies, solidificando o chão em que repousam os pés. Os nervos reacomodam-se e as energias recebidas são mais e outras, várias. A respiração atravessa o corpo na obstinação de se fazer percebida, e a percepção da sua presença apavora e confere o poder do controle total de estado, mesmo que sonegue os meios pelos quais atingi-lo completamente. A agonia do futuro é agora suprimível e o estar permite a existência do ser. As presenças deixaram de ser efêmeras e a concretude da liberdade é absoluta.

Os olhos recém turvados encontram outros cujos quadros são próprios, únicos e indizíveis para a percepção alheia. O contato verbal os confunde e o calor dos corpos difere em poucos graus quando as peles se entregam à roçadura enérgica que os compartilha – tecidos, órgãos, esqueletos, fluidos, resíduos, cheiros – entre si. O desenlace gera então os reflexos inacomodáveis da presença de um em outro, as percepções simultaneamente alteradas pelo uníssono dos gemidos ofegantes.

 

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Uma resposta

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  1. Amarello said, on março 14, 2013 at 3:22 am

    tão puro, quase irrisório… e o real quase sempre o é


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